quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Revival

A aposentadoria de "Janjão" Freire estava com os dias contados. O Campeonato Gaúcho de Fiat 147 de 1982 pegava fogo. Eram muitos os pilotos com chances de vitória e o número de carros tinha aumentado significativamente desde 1981. "Janjão" não conseguira se livrar do comichão no pé direito e ele acabou formando uma equipe com o Paulo Jacometti com o carro branco #2 preparado pelo Pereira, para disputar duas provas, em Guaporé e Tarumã, contra o seu antigo parceiro (Renato Conill) e os outros rivais de sempre.

Pude assistir a essa prova de Tarumã na casa dele, na sequência daquela do vôo de 1980. De cara aparecem oito carros se empurrando na subida da reta: "Janjão" na liderança seguido por Hoerlle, Conill, Fornari, Lembert, João Campos, Luis Ernani Mello e Jacometti. Logo a seguir a imagem corta para a curva 3 e mostra o piloto Glênio Fernandes saindo do seu carro acidentado.

PÁRA TUDO!!!! Acabo de descobrir que eu estava nessa prova! E essa imagem resolveu um enigma que eu estava tentando resolver há muito tempo. Eu explico.

Já falei aqui sobre o Fiat da Melitta e que quando guri esse era um dos carros para os quais eu torcia, porém a imagem do Melitta sempre esteve muito associada ao Paulo Hoerlle. Certa vez, quando fui visitar o "Paulinho" lá na oficina dele, comentei sobre essa prova, mas ele me disse que não tinha sido ele e não sabia quem poderia ter sido. Aí eu pensei: ué, pensei que "o Melitta" sempre fora pilotado por ele. Quem seria, então? Pois descobri há poucos dias que "o Melitta" começou na verdade nas mãos do Vitor Hugo de Castro e do Glênio Fernandes, o tal piloto do acidente na 3. Como falei, eu e minha família estávamos na entrada do Tala e tínhamos uma boa visão da 3. Por algumas voltas o carro do Glênio passava com alguma coisa solta em baixo, parecia o escapamento, que ficava tocando na roda do carro. Nunca vou esquecer do meu pai falando para o bandeirinha que ele iria capotar, caso não parasse para consertar. Não deu outra. Capotou mesmo. Eu tenho uma fotografia onde aparecem o meu pai e minha mãe, após a prova, aparecendo o Fiat lá no fundo, na mesma posição mostrada no vídeo. Caramba!!! Enigma solucionado.

Bom, voltamos à corrida que estava emocionante e vários pilotos se revezavam na liderança da competição. A curva 1 era o ponto preferido para as ultrapassagens. Os pilotos subiam a reta junto ao muro e pouco antes da curva começavam a sair do vácuo do carro da frente. Numa volta "Janjão" liderava, na outra era o quarto colocado e assim eles iam fazendo a festa para o público...


...até que Conill, Fornari e Lembert dividem a 1 em três, com Hoerlle colado em "Janjão" que estava colado em Conill.


Na chegada da 2 Hoerlle retarda a freada e dá um toque em "Janjão" e acaba desequilibrando o Fiat #2. Lembert havia aliviado pois seria difícil fazer a 2 lado a lado com Conill e Fornari. Com isso tínhamos "Janjão", Lembert e Hoerlle disputando o mesmo espaço.


Então o inevitável aconteceu:

Hoerlle tentou passar pelo meio de Lembert e "Janjão", mas os três carros acabaram se tocando...

...com a pior sobrando para o #14 e o #2 que foi obrigado a abandonar a sua prova de despedida.

Aquela que até então era a sua despedida definitiva, mostrou que independente da equipe, o piloto tinha condições de brigar pela ponta nas provas em que participasse. Foi uma despedida a rigor. Ele pode ver pelo retrovisor os carros pretos que ajudou a criar e aos quais tanto se dedicou, além de ver novamente os mesmos adversários de tantas lutas.

A última parte dessa história vai ao ar amanhã. Não percam.

Fonte das imagens: arquivo "Janjão" Freire com imagens da TV2 Guaíba e Pódium Graphic.

3 comentários:

Giovanni Sanco disse...

Bela história heim...
Pena que eu ainda não estava lá para ver...
Grande abraço!

luiz borgmann disse...

O Paulo Jacometti tinha uma loja de rodas esportivas na Av Ipiranga em Porto Alegre, depois dos Fiat 147 não voltou mais...O Vandernei Simões, antes dos Fiat 147, já havia competido de Passat e Chevette, ambos na Div 1 regional e de VW 1600 na D3 componentes nacionais. Na história do Janjão, faltou mencionar que ele competiu também na equipe Haubrich, famosa na época pelo investimento, equipe onde também participaram (todos de Passat TS) os pilotos João Antonio Rebechi, Nereu Aquiles Rebechi (ainda em atividade)e ainda o Luiz Otávio Paternostro (o Pater), que vinha de SP participar no regional Div 1 classe B. Os motores da Haubrich, na época, vinham do Losacco, de SP. A principal equipe adversária da Haubrich, na época, foi a Carro do Povo, com dois carros (Aroldo Erni Bauermann e Paulo Roberto Hoerlle). Certa feita (quem lembra?) o Paulinho Hoerlle, semm querer...não viu o Pater no Laço e meteu ele no guard rail...aquela época de rivalidade de equipes foi muito boa e merece ser recontada. Quem viu ou participou poderia dar seu depoimento.
luiz borgmann

Leandro Sanco disse...

Luiz,
Acho que o Jacó competiu também no Regional de Turismo, com um Chevette. Em 1986 ele andava com um Hatch vermelho #60 preparado pelo Diko.
Estou devendo uma visita ao Paulo Hoerlle, para ver o material que ele tem, inclusive sobre a época dos Passats.
Abraços.